Cidades Inteligentes. Mas inteligentes para quem?

No Brasil, em meados dos anos 90, o conceito de cidades inteligentes era encarado muito mais como uma discussão acadêmica do que como uma possibilidade de fato. Isso porque as limitações tecnológicas e a falta de uma definição mais clara sobre o tema dificultavam muito a implantação de um caso real, para que pessoas comuns (e não engenheiros e entusiastas da tecnologia) pudessem perceber os benefícios de se viver em um ambiente integrado, com setores públicos e privados alinhados em um propósito: tornar a cidade mais eficiente e segura.

Cidades inteligentes têm hospitais, delegacias, escolas, centros comerciais, sistemas de abastecimento, saneamento básico e de transporte diretamente conectados, com a troca de informações proporcionando mais segurança e qualidade de vida às pessoas. Nas cidades inteligentes sinais de trânsito e faixas de pedestres também reconhecem as variações de movimento e adaptam automaticamente seus intervalos. Serviços de saúde são capazes de mapear as incidências de patologias por região e, assim, planejar o atendimento às demandas de forma otimizada.

Falando assim, até parece coisa de filme de ficção. Mas a verdade é que já existem cidades inteligentes pelo mundo e alguns exemplos notáveis são Songdo, na Coreia do Sul,  referência em planejamento urbano; Copenhague, na Dinamarca que reduziu o uso de combustíveis fósseis; e Santa Ana, nos Estados Unidos, que mostra como é possível reaproveitar água, inclusive a dos sanitários.

No Brasil também temos um projeto muito interessante. O município cearense de São Gonçalo do Amarante, a 60 km de Fortaleza, vai ganhar a primeira cidade inteligente social do mundo.

Todo o projeto está sendo desenvolvido por um grupo de empresas da Itália e, assim que estiver pronta, a Smart City será entregue para ser administrada pelo município cearense e passará a fazer parte da lista de cidades inteligentes pelo mundo.

E para você que ainda está na dúvida sobre a real necessidade de tudo isso, vamos lembrar que cidades inteligentes estão intimamente ligadas ao conceito de sustentabilidade, principalmente devido ao problema da migração do campo para a cidade. Hoje, mais de 50% das pessoas reside em ambiente urbano no mundo. Na índia, por exemplo, esse número ainda é de 39%. Isso quer dizer, que nos próximos 30 anos, 300 milhões de pessoas vão migrar do interior da índia para as grandes cidades. Aqui no Brasil, São Paulo recebeu, em 2016, cerca de 18 pessoas por hora vindo dos ambientes rurais. Imagine que são 18 pessoas por hora chegando todos os dias durante 365 dias do ano, para consumir e compartilhar os recursos da cidade agravando os problemas já existentes.

Mas é importante observar de que tipo de inteligência estamos falando. Aqui inteligência não se refere apenas a uma inteligência computacional, tecnológica, já que a cidade não pode ser reduzida a um simples algoritmo. Essas cidades inteligentes só fazem sentido no momento que são materializadas e vivenciadas por todos nós. O Rio de Janeiro foi considerado a cidade mais inteligente do Brasil num ranking que saiu em 2016 e, quando perguntados, os moradores não só não se sentiam morando em uma cidade inteligente, como nem sabiam o que é isso. Quer saber se sua cidade é inteligente? Pergunte ao cidadão: essa é a dica de especialistas.

O que fica claro de tudo isso é que as pessoas não querem uma cidade nova, elas querem uma cidade melhor, com a interação do cidadão nessa plataforma. Ao reunir pessoas, processos, dados e coisas, as cidades inteligentes transformam todos os aspectos da vida, fazendo desse conceito algo muito mais amplo –  eu diria até que a melhor definição para uma cidade inteligente é que ela é um estilo de vida.

Confira nosso post sobre como a internet das coisas pode deixar as cidades inteligentes.

Orlan Almeida

Paixão pela área de Internet das Coisas. Engenheiro de Telecomunicações, com 10 anos de experiência em desenvolvimento de soluções de IoT com as tecnologias LORA, SIGFOX, GSM, RFID, BLUETOOTH, ISM, GPS e etc. Experiência de mais de 10 anos com gestão de projetos de tecnologia e de equipes multidisciplinares. Consultor para homologação de produtos junto à Anatel e outros órgãos reguladores. Especialista em pesquisa de opinião, tratamento de dados e análise estatística (+ de 15 anos atuando na área). Empreendedor com primeiro exit em 2012. Entusiasta e apoiador do ecossistema de startups em geral, ministrando palestras, mentorias e consultorias no ambiente de inovação.