Iot e conectividade: porque isso é importante?

A Internet das coisas (IoT – sigla em inglês) está mudando a forma como as empresas fazem negócios e as pessoas interagem. A crescente popularidade de novas tecnologias tem se tornado um aspecto significativo desta evolução. Até agora, um número representativo de empresas, de segmentos distintos, adotou o potencial da IoT para fornecer conectividade em relação a serviços e soluções. Dispositivos diversos se conectam e trocam dados, proporcionando um ecossistema mais eficiente e automatizado em processos, com maior praticidade para os negócios e a vida em geral. No centro dessa revolução está a questão da conectividade, um dos desafios apontados para a expansão das soluções disponíveis no Brasil. Mas, antes de falar propriamente desse tema, vamos fazer uma breve introdução.

Desde os anos 90, a internet está presente em nossas vidas. Na realidade, hoje em dia seria impensável viver sem ela. A internet foi concebida inicialmente e primariamente para as pessoas. Assim, todos os games, livros, sistemas de busca, imagens e tudo o mais que temos na internet foi concebido por pessoas, para pessoas e sobre pessoas.

A internet das pessoas mudou o mundo. Mas, agora, existe uma nova internet emergindo que também tem o potencial de mudar o mundo. E essa nova internet não é apenas sobre pessoas, mas sobre coisas: objetos do dia a dia como eletrodomésticos, lâmpadas e sensores diversos. Esses passam a enviar e receber informações por meio da internet, para que possamos interagir com essas coisas remotamente e, igualmente, elas possam interagir conosco também.

Mas a verdadeira revolução não ocorrerá apenas quando a grande maioria das coisas estiverem conectadas à internet, interagindo conosco. Mas sim, quando elas estiverem interagindo umas com as outras.

Por exemplo, quando você acordar, uma pequena smart band (uma pulseira inteligente) será capaz de enviar essa informação para diversos dispositivos em sua casa, criando uma cascata de eventos automáticos. Sua cafeteira começa a fazer seu café, seu ar condicionado ajusta a temperatura da casa, suas cortinas automáticas se abrem e as luzes são ajustadas de modo a ficar mais confortável para você. Seu carro já sabe que você irá trabalhar hoje, recebe as condições do tráfego e já envia para você no seu smartphone. Todas essas coisas se comunicando entre si, de modo totalmente independente.

Mas que rede é essa capaz de trafegar dados de milhões ou até bilhões de dispositivos?

É importante lembrar que muitas aplicações no ambiente da internet das coisas nunca saíram do papel porque simplesmente não eram viáveis economicamente, ou seja, quando as empresas pararam para fazer as contas do CAPEX  e OPEX necessários, a aplicação se tornava inviável porque demandava grandes somas em infraestrutura de antenas, gateways e outros.

É aqui que muitos engenheiros, principalmente os da velha guarda (como eu) vão dizer: mas e a rede de celular? É verdade que muitos dos projetos, principalmente no ambiente do M2M (conexões machine to machine) utilizam a rede de celular para trafegar os dados, no entanto quando falamos de IoT (sigla em inglês para internet das coisas) o cenário é outro.

É importante observar, que as redes mais conhecidas como Wifi, Bluetooth, Zigbee e a própria rede de celular não são ideais para o universo da IoT. Quando colocamos todas elas lado a lado, numa tabela comparativa, vemos que nenhuma delas possui, individualmente, todas as características de uma rede  aplicável à internet das coisas. Esta precisa possuir ampla cobertura, baixo custo e, principalmente, baixa demanda energética (afinal você não vai querer trocar a pilha do seu detector de fumaça todos os dias!).

A pergunta que fica é: Já existe algo assim disponível? Claro! E não só existe como já está em pleno funcionamento. Um bom exemplo é a Nest-in, uma empresa cuja proposta é trazer todo um arcabouço tecnológico para que qualquer um possa integrar sua aplicação a uma rede IoT em poucos segundos.

Concluindo: o conceito de IoT (internet das coisas) promete revolucionar e transformar os negócios, gerando novos modelos operacionais e de relacionamento com os clientes. Essa jornada de transformação traz uma série de desafios e a conectividade é um deles, mas não o único. Em um universo de bilhões de dispositivos, qualquer conceito de rede tradicional cai por terra, na medida em que, todo e qualquer processo manual de cadastro e manutenção desses devices torna-se inviável. São necessários procedimentos para garantir que todas essas “coisas” consigam negociar sua entrada na rede de modo totalmente automatizado, permitindo uma integração de projetos de modo simplificada.

Talvez possamos inferir que, apesar da rede ser algo fundamental, a geração de valor está diretamente associada ao grau de integração dos sistemas com as coisas, ou seja: qualquer empresa que esteja disposta a prover conectividade, também deve lembrar de uma palavrinha que sempre travava a língua na época da graduação em engenharia: a famosa interoperabilidade.

Orlan Almeida

Paixão pela área de Internet das Coisas. Engenheiro de Telecomunicações, com 10 anos de experiência em desenvolvimento de soluções de IoT com as tecnologias LORA, SIGFOX, GSM, RFID, BLUETOOTH, ISM, GPS e etc. Experiência de mais de 10 anos com gestão de projetos de tecnologia e de equipes multidisciplinares. Consultor para homologação de produtos junto à Anatel e outros órgãos reguladores. Especialista em pesquisa de opinião, tratamento de dados e análise estatística (+ de 15 anos atuando na área). Empreendedor com primeiro exit em 2012. Entusiasta e apoiador do ecossistema de startups em geral, ministrando palestras, mentorias e consultorias no ambiente de inovação.