Tecnologia a favor da segurança da mulher

Nos últimos anos o número de estupros no Brasil cresceu muito. A cada 11 minutos uma mulher é atacada e o Distrito Federal ocupa a oitava posição em relação aos Estados brasileiros, com maior índice de violência contra a mulher. Veja nesse breve artigo, como a internet das coisas pode ajudar na segurança da mulher

O número alarmante de violência contra mulher incomoda bastante. Esse incomodo foi levado a sério por algumas pessoas que resolveram aliar a tecnologia a segurança da mulher.

Estamos em pleno século XXI, onde existe solução para tudo ou quase tudo. Tudo se resolve de maneira instantânea e os avanços tecnológicos são os grandes responsáveis por essa facilidade em tantos segmentos, desde saúde até a moda.

Com todos esses avanços acontecendo tão rápido é controverso dizer que 90% das mulheres já deixaram de fazer alguma coisa por medo da violência e por não terem ao seu alcance nada que as deixassem seguras.

Uma pesquisa feita pela ONG ÉNois Inteligência Jovem em parceria com o Instituto Vladimir Herzog e o Instituto Patrícia Galvão, constatou que 31% das mulheres já deixaram de sair à noite por medo da violência, enquanto 27% já deixaram de usar determinada roupa, também por medo.

Em uma outra pesquisa qualitativa realizada com algumas estudantes universitárias foram observados alguns pontos em comum, todas têm medo de andar sozinhas na rua, todas possuem o hábito de informar para outras pessoas aonde vão e por fim, têm medo de usar o celular na rua.

Diante dessa realidade usar a tecnologia para oferecer segurança e proteção para a mulher é uma maneira inteligente de dar suporte as mulheres que em algum momento se sentem vulneráveis e expostas a situações de risco.

Aliar a tecnologia a segurança da mulher faz parte das soluções tecnológicas que temos vivenciado no decorrer desses últimos anos. No exterior isso já vem acontecendo há algum tempo e prova que algumas iniciativas podem auxiliar mulheres em situações de violência e abuso. Essas iniciativas buscam evitar o assédio e dar maior segurança às mulheres de maneira ágil e inovadora.

O Safetipin, por exemplo, é um aplicativo que chegou recentemente na América Latina com a intenção de promover segurança através de mapas. A ideia principal é que as pessoas avaliem praças, ruas, parques de acordo com alguns critérios que o aplicativo exige. Todas essas informações são importantes, principalmente para as mulheres que antes de sair de casa vão saber se o local é seguro ou não. Além disso, o Safetipin possui um botão de emergência, assim a mulher é rastreada e caso entre em um lugar considerado perigoso, uma mensagem é enviada automaticamente para um contato escolhido. Esse aplicativo já está disponível em inglês e espanhol.

Um outro aplicativo está em desenvolvimento no México, o Hazme el Paro que tem como objetivo reduzir os abusos no transporte público. Eles pensaram em um aplicativo onde pessoas podem reportar assédios que presenciaram ou que sofreram. O usuário deve mandar a reclamação para a central, que automaticamente solta a mensagem pelos auto falantes instalados nos transportes públicos, dizendo que abusos sexuais não serão tolerados. De acordo com eles, isso irá intimidar o agressor.

Já no Brasil, alguns aplicativos também foram criados. Um deles é o Clique 180, uma iniciativa da ONU Mulheres no Brasil. O interessante do aplicativo é a lei Maria da Penha, na íntegra, dividida por capítulos para consulta. O aplicativo orienta as mulheres e mostra delegacias próximas, têm um mapa colaborativo e em todas as telas possui um botão com ligação direta para o 180.

Um outro aplicativo brasileiro é o Malalai que converte a informação de localização em maior segurança para a mulher e maior tranquilidade. Em caso de perigo o celular da vítima enviará uma mensagem de alerta com a localização para quem ele escolher.

O caráter social de todos os aplicativos é muito interessante e relevante e pode fazer uma grande diferença na vida das mulheres, mas na opinião de muitos um aplicativo de celular não é eficiente, principalmente e primariamente porque dependem do celular para funcionar. O problema é que o aparelho celular será o primeiro a ser confiscado na hora de uma emergência. Além disso, nas palavras de uma empresária que contratou recentemente uma solução de botão de emergência para segurança pessoal, “na hora da emergência, até você pegar o celular, destravar e fazer tudo isso, eu prefiro um botão que é muito mais prático e rápido”.

Nesse sentido, uma ideia interessante é a da safe zone, que significa área segura. Uma rede colaborativa de segurança com mini torres espalhadas pela cidade que são acionadas através de um sinal de alerta disparado pela mulher, acionando seus parentes e anjos cadastrados no aplicativo, agilizando o atendimento de emergência. Uma solução que está sendo implantada em Brasília primeiramente e logo estará disponível pelo Brasil. Atualmente, os desenvolvedores do projeto estão fazendo cadastro reserva para quem tiver interesse na solução no site www.safezone.bsb.br.

 

A tecnologia não tem limites, e isso é comprovado diariamente nas mais diversas soluções disponíveis. Embora existam ainda muitas limitações, é admirável a vontade que muitos desenvolvedores têm de atender além de interesses econômicos uma parcela que muitas vezes fica jogada de lado quando se fala de ferramentas que é a utilidade pública. Devemos sempre lembrar que tudo isso só faz sentido porque é feito de pessoas para pessoas porque jamais, em toda a história da humanidade, o ser humano esteve tão em alta seja ele homem, mulher, criança, idoso e etc.

Orlan Almeida

Paixão pela área de Internet das Coisas. Engenheiro de Telecomunicações, com 10 anos de experiência em desenvolvimento de soluções de IoT com as tecnologias LORA, SIGFOX, GSM, RFID, BLUETOOTH, ISM, GPS e etc. Experiência de mais de 10 anos com gestão de projetos de tecnologia e de equipes multidisciplinares. Consultor para homologação de produtos junto à Anatel e outros órgãos reguladores. Especialista em pesquisa de opinião, tratamento de dados e análise estatística (+ de 15 anos atuando na área). Empreendedor com primeiro exit em 2012. Entusiasta e apoiador do ecossistema de startups em geral, ministrando palestras, mentorias e consultorias no ambiente de inovação.